sexta-feira, 15 de março de 2019

Voltar a sonhar.

Parece fácil falar de sonho. Mas não é. Daqueles sonhos mesmo, que estão lá, nas entranhas, emaranhados. Aqueles que a gente nem se dá conta do tempo que já o estamos deixando de lado. Isso sim é fácil, os esquecer lá, junto com o peso da rotina.

Qual seu sonho?

Há quanto tempo você parou de ouvi-lo?
O que você faz com a liberdade que esse sonho poderia te dar? Sim, tudo que te faz bem genuinamente se traduz em liberdade. E nessas horas dá até pra concordar com Sartre de que somos livres, humanamente livres. Claro, deixando de lado a cultura, a política, a desigualdade social, a educação, o neoliberalismo... Somos humanamente livres.

Só em sonho.

Mas pelo menos lá. O que te faz sonhar?

terça-feira, 12 de março de 2019

A chuva pega. Pingo a pingo. Cai, assim, lembrando da vida. Ela só sente na cama quente o bom de se viver. Escuta sua música, come a comida que ela mesma fez, conversa e deita. Quem dera ter um sonho bom pra poder sorrir amanhã o dia todo. Ou meio dia. Que seja. Quem dera ter um sonho bom. Esse som de chuva: coisa boa. Esse calorsinho de ver tanto e pouco tempo que passou pra ela chegar nesse sentido. Ah, mulher! Coisa boa, não é? É. Pois é. A vida tem dessas coisas. Importante é deixar de vigiar mas com a intuição ligada pra nesse momento poder construir uma nova morada e só ficar deitadinha. Deitadinha sorrindo por um novo amor.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Sim, veio manso. Manso? Será? Talvez tenha vindo depois de uma mansidão. Por muito tempo tentei me preservar acalmando o que tenho em mim de mais precioso: a vida. Ao lhe encontrar foi como um eco. "vamos ver se vc vai se mostrar amigo...". As crianças saíram pra brincar sem juízo. E quando viram era de dia. E quando viram foi uma vida inteira colocada ali, tão rápido. Paixão é assim não é? O que vale é isso. Sempre. A travessia. Deixar-se queimar um pouco, aprender a se deixar levar, com carinho, com respeito, alegria e autocuidado. A vida vem de um jeito que parece até de brincadeira! E é tão gostoso de brincar a vida.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Os sulcos estão aí. Não há nada que os faça deixar de existir. Cada lágrima, cada má escolha, cada contratempo. Existiram. Não há nada a se fazer quanto a sua existência. Mas a sua sim. Equilíbrio. É o auge da busca da classe média. E você está nela. Nessa média, nesse morno. Quanto mais se escreve, quanto mais se fala, quanto mais não se evita, menos morno fica, mais fundo se vai. Ela tá indo fundo. Ou ao menos achando que está. Pra variar. Sim, disso se trata a vida. Pura tentativa. Tentativa de amar, tentativa de ser livre, tentativa de construir. E tentando a gente vai vivendo, amando, sendo... Não tem o que fazer. O equilíbrio é puro dinamicismo, um que leva ao outro que vai no um, que leva ao outro. Pois bem. Era pra ser sobre raiva de polícia ou cachorro. Acabou sendo sobre outra coisa. Depois dizem que o que escrevo não é bobeira. Podia até contar sobre o sonho que tive com ele. Esse menino que está na minha vida há tanto tempo... 20 e tantos anos. E o tive tão perto e foi tudo tão rápido, frágil, sem existir. Existiu? Quando ligava pra ele, devia ser na greve do CEFET... Ligava para ouvir sua voz. "Ele tá jogando bola com os amigos, já vem". E não é que vinha mesmo? Queria lembrar o que a gente conversava... E não é que naquela minha timidez toda eu não era bem corajosa? Pegava os cartões telefônicos e para acabar mesmo, para entrar na minha coleção, fazia um interurbano lá no começo da rua. Barriga doía, pensamento ia longe. E foi assim um tempo. Quantas ligações não teria feito? Não sei. Mas fazia. E hoje ele voltou pro meu sonho. Por que será essa volta? Não tem ligação com meu dia. Não teve sequer premonição. Era algo louco. A gente vivendo com nossas famílias na casa de sua infância, que eu também frequentei. Coisa sem compreensão. Sonho mesmo. O que será desse menino? Primeiro amor, dizem. Bem bobinho, mas já cheio de papeis. O amor começou quando ele perguntou quem eu achava mais bonito da sala. Eu, como sempre, tentando agradar, falei que era ele. Mas na verdade achava o outro mais bonito. E no outro dia, chegando à escola, a notícia fresquinha era que éramos namorados. Coisa de criança. Boba e tão potente. Não sei porquê sempre dou tanto valor a essas coisas tão pequenas e me apego tanto a isso, sabe? Minha infância tem tantos sabores e eles são tão nítidos! Mas enfim. O namoro era isso. Nunca teve beijo. Nunca teve mãos dadas. Lembro de mandar cartas escondidas. Não me lembro de receber. Na verdade, não sei o que foi essa relação. Lembro quando falei que ia embora. Já não éramos namorados. Ele ficou tão triste. Aí me toquei de que era algo palpável. Não era mera brincadeirinha. As crianças brincam seriamente. E acho que essa foi a despedida que mais doeu em todas as mudanças que fiz. Deixar esse amigo, Deixar essa vida em suspenso. Esse amigo... Mas antes, em algum momento a gente parou de namorar. Não sei o motivo, não me lembro. Lembro que já não teria mais A e E no coração rabiscado no meio fio. E a amiga mais velha disse que era hora de trocar o E pelo M. E eu tinha tanta pena disso. De repente colocar outra pessoa ali. O com quem será não seria mais com ele...Coisa estranha! Por que? Não lembro. Acho que foi assim de repente como começou. Mas os trabalhos ainda eram com ele no grupo também e uma vez em casa minha ele contou nosso segredo. E eu, sempre sensível, fiquei com tanta vergonha de ser exposta. Chorei. Briguei. Coisa de criança. Seriedades. Mas se for parar para pensar, desde pequena são os meninos que decidem as relações comigo. Será? Grande afirmação. Sempre tive meus namoradinhos. desde pequena. Coisa de criança. Mas esse menino me marcou por toda a vida. Anos depois voltamos a nos ver diariamente. Já adolescentes. E, bem, coisa de adolescente... sempre estava eu tão tímida, tão boba. Mas mesmo assim, entreguei a ele uma carta me declarando. Sempre querendo ser sincera, clara. E foi de despedida. Novamente de despedida. E ele sempre tão doce, receptivo. Coisa estranha. Nunca tivemos nada além de crianças. Tiveram emails trocados, se via muito carinho, respeito. Como teria sido se algum dia tivessemos algo? Será que quando a gente é criança a gente sabe mais das coisas do que hoje em dia?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Vem. Mas venha manso. Venha brasa, mas não queime tanto. Venha devagarinho como foi ter te visto por primeira vez: de surpresa, bem Cabreira mente. Venha no improviso, mas venha semente. Vem, que quero ser sorriso e só isso. Venha, se ocupe, há muito pra gente prosear, tirar os mofo, limpar as beiradinhas daquele canto que ninguém mais viu. Venha, que já não quero esconder. Quero mostrar o mundo, quero criar o mundo com você. Se assim você vier. Mas se não vier, me deixe com esse gosto de ter sentido isso pelo menos um pouco. O gostinho amargo e doce que todo dia nasce em cada canto de boca de todos nós.