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domingo, 1 de novembro de 2015
A ressaca dos dias. Aquela sensação desidratada. Aquele rompante de palavras que não podiam ter sido suas! Ao mesmo tempo aquele alívio de ser tomado ferramenta para despejar-se sobre o mundo. Quanto peso nos ombros! Somos tão frágeis. E insistimos em bancar o bamba. Aquele nó desatado, aquela revelação de que nada voltará a ser como antes depois desse momento crucial. Choro, lágrimas, humilhação momentânea: nada importa. O "daqui pra frente" se abre com uma possibilidade de inicial gosto amargo, depois vem o gosto que quiseres dar. Todos temos problemas. Todos choramos na noite escura quando nos damos conta de nossa finitude, solidão ou pequenice. Todos amamos, todos odiamos. Cada um a sua maneira bela e crua de ser. Que sejamos mais crús, com mais ressacas. Mas que elas não nos afundem na nossa própria areia.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Anos atrás, você tinha razão: uma árvore sobre a outra dá sombra.
Sinto-me na sombra.
Foi uma sombra dissimulada, me pegando aos poucos, entre escolha e entrega.
Mas é sombra.
E agora para transplantar esse eu-planta só com boas mãos de jardineiro!
Está na hora de sair da sua sombra.
Cantinho que escolhi pra mim, teve terra, água-lágrimas, risos-minerais.
Agora chega!
Quero meu próprio campo!
Quero minhas joaninhas e pulgões. Quero minhas raízes e minhas próprias folhas para podar.
Por que fui me tocar disso só agora?!
OU talvez agora tenha dado o nome aos bois.
Mas é sombra.
Vivo a vida de outra árvore. E acabo por virar praga senão me transplantar.
Agora devo me regar, devo afofar minha nova terra, tirar as folhas secas e florescer.
Já tá mais que na hora do sol aparecer.
Sinto-me na sombra.
Foi uma sombra dissimulada, me pegando aos poucos, entre escolha e entrega.
Mas é sombra.
E agora para transplantar esse eu-planta só com boas mãos de jardineiro!
Está na hora de sair da sua sombra.
Cantinho que escolhi pra mim, teve terra, água-lágrimas, risos-minerais.
Agora chega!
Quero meu próprio campo!
Quero minhas joaninhas e pulgões. Quero minhas raízes e minhas próprias folhas para podar.
Por que fui me tocar disso só agora?!
OU talvez agora tenha dado o nome aos bois.
Mas é sombra.
Vivo a vida de outra árvore. E acabo por virar praga senão me transplantar.
Agora devo me regar, devo afofar minha nova terra, tirar as folhas secas e florescer.
Já tá mais que na hora do sol aparecer.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
de junho
Meus olhos se fecham. Tudo em mim me parece velho, antigo e conservador. Sou eu mesma a opressão. Sou eu mesma oprimida. Ninguém está disposto a ir a fundo no amor, deveras. E ele vai ser para sempre uma criança. Não amadurece, não envelhece. Amor não perde a virgindade sequer. Quando perde vira problema de família, caos e desânimo. Queria eu estar feliz. Mas não me engano. Não estou feliz. Vivo num mundo construído, um mundo de ilusão. Queria muito acreditar que duas pessoas bastam e só essas duas pessoas influenciam esse mundo. Não é assim. E quando não estamos dispostos a ir a fundo nesse mundo, alguém ou os dois saem machucados. É preciso sair de alguma forma, alguma hora. Já tinha ouvido falar que só amar não basta e parece que é verdade. Só o amor não constrói a alegria do dia a dia. Mesmo que amor envolva confiança, lealdade e comprometimento para mim. Mas o gostar ou o querer estar com o outro não basta. Não é suficiente. Pode provar algumas coisas, mas não prova tudo. Amor parece ter data de validade e não dá para pedir para trocar o produto quando vencido. Mais do mesmo não dá. Pra que tudo recomece é preciso reconhecer o fim. Pode ser com a mesma pessoa, se ela quiser. Se ela não quiser, talvez seja um sinal que a vida continua para terminar com um grande e absurdo: "Fazer o que?".
cara amiga, essa carta não é para ser entregue. assim como não deveria ter sido entregue tanto sentimento ruim. não te quero mal, nem bem. você não cheira, nem fede. mas insisto em te conectar a mim. de certa forma estamos? talvez. não nos conhecemos, nem tenho a pretensão de. tempos atrás talvez para me provar, para ultrapassar meus limites iria querer até te convidar pra um chá. mas os anos nos fazem apenas um bem: nos conhecermos melhor. beijarmos nossos limites e quem sabe sermos mais seguros de nós mesmos? nesse caso, meu limite é esse. de ti, nada, para ti, menos ainda. começamos mal, minha cara. eu sei. mas quem continuaste foste tu. à cotoveladas e com tanto exibicionismo: pra que? e o seu feminismo escancarado em páginas de face? e sua modernidade nos cabelos? pra que duas mulheres iriam precisar disputar um mísero homem? não faz sentido e essa roupa eu não visto. não tem meu número e prefiro deixá-la mofar. homens não me abandonam, homens não serão alvo de minha disputa, nem de minha alegria, nem de minha tristeza. pelo menos é isso que procuro trabalhar em mim mesma, mas já te disse, somos limitadas. Então, minha cara, fica na sua, me esqueça. Se puder, esqueça-o também, vá em outra praça, vai te fazer bem. Pois por aqui bem nenhum você gerou. Se alguém gerou bem fomos eu e ele, cada um a si, refletindo um no outro. Não foi o seu acontecimento que abalou geral, sinto em lhe dizer. Não foi a sua existência que fez a minha vida mudar. Vá te catar! Estou dando voltas no sol há muito mais tempo que ti, minha cara. Só eu sei das minhas dores. Só eu sei das minhas alegrias. Não toque na ferida, siga seu caminho. Assim jamais seremos amigas.
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